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Tite trai a si próprio ao convocar Arthur agora

Treinador cai em contradição ao convocar o volante da Juventus sem se destacar na temporada, após ficar fora da última lista

Por Vitor Sérgio Rodrigues

Difícil entender os argumentos para Arthur retornar à seleção brasileira neste momento

Difícil entender os argumentos para Arthur retornar à seleção brasileira neste momento

O pós-Copa do Mundo de 2018 vem sendo um período turbulento para Tite no comando da seleção brasileira. Atuações ruins, convocações questionáveis, o peso da obrigação de ser campeão da Copa América jogada em casa, justamente conquistada. Mas o mais grave na avaliação do trabalho do técnico da seleção é a constância com que Tite se traiu, as situações em que houve um descolamento do discurso e da prática, como quando ele disse acreditar que um desfalque pesa mais na reta final do que no início de um torneio dos pontos corridos.

A convocação realizada nesta sexta-feira, para os jogos contra Venezuela e Uruguai, valendo pelas Eliminatórias, em outubro, escancarou o Tite se traindo de forma muita clara e evidente: a convocação de Arthur. Tite justificou dizendo que o meio revelado pelo Grêmio e que atualmente está na Juventus foi muito bem na Copa América e que merece a continuidade. Algo difícil de compreender, seguindo os preceitos do próprio Tite.

Arthur jogou um total de 113 minutos em três partidas nesta temporada pela Juventus (foi titular uma vez). No melhor jogo da Juve até aqui, o 3 a 0 sobre a Sampdoria, não atuou. Não fez gol, não deu assistência e não teve grande destaque. Um começo sem brilho no novo clube, após colecionar atuações ruins pelo Barcelona, além de um comportamento pouco profissional na reta final no Camp Nou. Ou seja, o desempenho de Arthur nesse início de temporada não justificava uma convocação após o jogador ficar fora da última lista. Ou seja, se a convocação funciona assim, por que Arthur ficou fora da última?

Tite não se cansa de dizer que tudo é observado para um jogador ser convocado. É levado em conta o histórico do jogador, mas também o momento recente e também o comportamento. Tite traiu isso com a convocação de Arthur. Na minha avaliação, o histórico de Arthur com a seleção é aquém da expectativa gerada (mesmo tendo indo bem na Copa América). Considerar o momento dele torna incompreensível a convocação. Se levar em conta a postura nos últimos meses no Barcelona, piorou. E ele está dentro, no lugar de Bruno Guimarães!

Outros jogadores chamados ganharam destaques por ainda estarem machucados. São os casos de Alisson, Gabriel Jesus e Rodrigo Caio. Os dois primeiros fazem parte do trabalho desde o início e é normal serem convocados, contando que estarão recuperados no momento da apresentação (saíram da lista Santos e Matheus Cunha). Rodrigo Caio é um jogador que Tite gosta demais e parece que terá mais chances. As outras duas novidades são Militão no lugar de Felipe e Vinícius Júnior na vaga que foi de Rodrygo.

No geral, é uma lista correta de Tite, para dois jogos em que o Brasil é favorito, mesmo tendo que jogar no Estádio Centenário. Mas a convocação de Arthur acaba chamando a atenção para uma lista que deveria passar sem grande destaque.


Goleiros

Alisson - Liverpool (ING)
Ederson - Manchester City (ING)
Weverton - SE Palmeiras

Laterais

Alex Telles - Manchester United (ING)
Danilo - Juventus (ITA)
Gabriel Menino - SE Palmeiras
Renan Lodi - Atlético de Madrid (ESP)

Zagueiros

Marquinhos - Paris Saint-Germain (FRA)
Thiago Silva - Chelsea (ING)
Rodrigo Caio - Flamengo
Éder Militão - Real Madrid (ESP)

Meio-campistas

Arthur - Juventus (ITA)
Casemiro - Real Madrid (ESP)
Douglas Luiz - Aston Villa (ING)
Everton Ribeiro - Flamengo
Fabinho - Liverpool (ING)
Philippe Coutinho - Barcelona (ESP)

Atacantes

Everton - Benfica (POR)
Gabriel Jesus - Manchester City (ING)
Neymar - Paris Saint-Germain (FRA)
Richarlison - Everton (ING)
Roberto Firmino - Liverpool (ING)
Vini Jr - Real Madrid (ESP)

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