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Todos somos animais políticos. Alguns mais animais do que políticos.

Podemos e devemos rrespeitar todas as manifestações. Só não podemos limitar ou censurar ou proibir ou bloquear qualquer opinião .

Por Mauro Beting

Todos somos políticos. Todos podem ser políticos

Todos somos políticos. Todos podem ser políticos

Tudo é (ou pode ser) manifestação política. Todos podem se manifestar politicamente. Mas não partidariamente em algumas situações. Não fazendo proselitismo eleitoral em qualquer ambiente e durante o período de eleição. Sobretudo no local de trabalho. Ainda mais com o eleitor representando uma instituição.

O cidadão Raí pode e até mesmo deve cobrar tudo que o presidente do Brasil não entrega. O diretor do São Paulo pode questionar muitos temas que o eleito responderia perguntando.

Pedir a renúncia do presidente pode ser claramente entendida como uma questão que entra no campo partidário, de proselitismo "eleitoral" e ideológico. Pode e deve ser debatida.

Como a recriminação a ele feita por muita gente.

Só não concordo com o caríssimo Caio Ribeiro quando ele coloca que o dirigente tricolor "tem que falar de esporte. Na hora que ele fala de renúncia, dos hospitais públicos e tudo isso, me parece que ele tem conotações políticas em relação a preferências".

Claro que Raí tem. Como Caio tem. Como todos temos.

E todos devemos debater a respeito. Não combater o debate. Não proibir ou deplorar o diálogo.

Podemos criticar o que ele falou. Mas jamais cercear a manifestação. Ainda mais quando os assuntos estão tão próximos.

Em 2018, Felipe Melo, depois de marcar um gol para o Palmeiras, tinha todo o direito de o dedicar a um amigo e mito que estava no hospital e havia sido esfaqueado. Podia dizer como disse que era Jair Bolsonaro.

Só não podia dizer que era "o futuro presidente do Brasil". O que ele virou.

Mas que durante um processo eleitoral, qualquer jogador de qualquer clube não pode fazer esse tipo de proselitismo ELEITORAL (que é diferente do POLÍTICO, por ser feito DURANTE uma campanha que pode induzir o voto): você pode votar em quem quiser. Só não pode fazer campanha eleitoral no ambiente de trabalho. Líder religioso não pode fazer na pregação, professor induzir aluno a votar em candidato, eu fazer apologia na TV pra partido, jogador com a camisa do clube fazer campanha eleitoral.

Mas pode um clube fazer campanha pelo voto no país então sob regime militar e pela DEMOCRACIA como a do Corinthians, em 1982.

Pode desejar recuperação de um câncer a um ex-presidente do país e conselheiro do clube - sem ser em eleição - como fez o Corinthians com Lula, em 2011.

Pode Felipe Melo dedicar um gol pelo seu clube, ainda no gramado, a um amigo esfaqueado se recuperando no hospital. Pode falar o nome de Jair Bolsonaro. Só não pode explicitar o que ele falou (“futuro presidente”) na TV. E só não é “legal” por ser durante a campanha eleitoral.

Agora, se quiser, FM pode dedicar o título a ele, amigo e palmeirense também. Já foi a eleição. Ele já é o presidente.

Como sempre pôde Lucas Moura na rede social declarar apoio ao 17. Ronaldinho Gaúcho na rede dele (como muito bem pôde o Barcelona não gostar da postagem dele e a de Rivaldo, também). São Marcos também pode se manifestar por Jair Bolsonaro. Como outros podem pedir Lula Livre. Ou Cabo Daciolo no monte. Adnet em Brasília por imitar o melhor e o pior dos candidatos.

Agora que já foi a eleição, já está trabalhando o presidente, pode Diego Souza bater continência para o capitão eleito presidente ao lado do general vice ao celebrar gol do São Paulo (embora a regra do jogo proíba). Pode até fazer a arminha com as mãos do Bolsonaro. Pode até fazer o “acelera” do novo vizinho de Morumbi - Doria. Qualquer manifestação política se aceita. Política é isso.

Diego Souza pode agora se manifestar mais “livremente” porque toda manifestação política é válida desde que se arque com as consequências. E, no caso, diferente do que ocorreu com Felipe Melo na entrevista pós-jogo, NÃO É MAIS PERÍODO ELEITORAL. NÃO INFLUENCIA MAIS O VOTO DE NINGUÉM.

Ainda assim o São Paulo poderia ter chamado a atenção do atleta e afirmar que o clube é para todos e apartidário.

E o futebol inteiro poderia ter chamado a atenção de Diego Souza e lembrar que o São Paulo naquele jogo de 2018 jogava de luto pelo assassinato do colega de ofício e ex-atleta Daniel.

Brincar de arminha não pega bem.

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