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Tolerância zero com os intolerantes da talibancada

Manifestações das arquibancadas refletem o mundo e a humanidade que estamos perdendo.

Por Mauro Beting

Tolerância zero com os intolerantes da talibancada

Tolerância zero com os intolerantes da talibancada

Sabe o porquê também de eu escrever o texto que #PedeA24 e o respeito a todos os números, nomes e modos no futebol e em qualquer campo da vida?

Por causa da manifestação no clássico carioca da torcida rival chamando o Flamengo de "time de assassinos". Como havia sido parecido em outro clássico no final de 2019.

É fundamental ter tolerância zero com quem é abaixo de zero. Intolerância que é bastarda da ignorância e da má formação cultural e da deformação da alma.

O que se ouviu no Maracanã, ainda que "supostamente" lamentando o acidente há um ano, é da laia dos criadores da musiquinha que falava da morte do vascaíno Dener, em 1994. Gente (SIC) que torce pelo mesmo clube que em outro clássico carioca teve quem berrasse "uh! Vai morrer" enquanto o treinador vascaíno Ricardo Gomes saía de ambulância depois de um AVC, em 2011. Torcedores do mesmo clube que teve dois desperdícios de carbono com um submarino de papelão simbolizando a tragédia onde morreram 44 marinheiros argentinos em 2017, antes de um jogo contra o Independiente. Como em 1992 a torcida de um clube que não estava na final do Brasileiro também cantou lembrando as quedas de torcedores da arquibancada do Maracanã.

Cito quem sofreu a barbárie mas não quem a cometeu. O clube não pode ser responsabilizado objetivo e nem confundido subjetivamente com abjetas manifestações de objetos e dejetos "humanos". É o mesmo que dizer que um clube é "democrático" só por um movimento ou "totalitário" por uma medida ou simpatia de dirigentes e torcedores.

A generalização pro bem e pro mal é tão odiosa quanto rivais imitarem aviões e cantarem canções contra a Chapecoense e a humanidade. Adversários interestaduais do Inter cantaram a respeito sem o menor respeito com a queda do helicóptero que matou Fernandão.

A escrotidão ultrapassa fronteiras e atiça rivalidades impensáveis - até porque feita por gente que não pensa e que não tem coração. A tragédia da Chape levou "torcedores" do rival do Benfica a cantar "quem me dera" se fosse o clube português a bordo e não o catarinense.

Em vez de o futebol se preocupar como cada torcedor celebra sua vitória, sem fiscais e bedéis de torcida e sommeliers de sentimentos, mais importante é ser intolerante contra gente que não tem coração, cabeça e educação.

Amar é fácil. Mas, infelizmente, odiar ainda mais.

Amor não se pode exigir. Respeito, sim.

Não é só no preconceito e discriminação.

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