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VAR social

O VAR  veio para tornar o jogo mais justo e pode ser a ferramenta responsável por trazer justiça social para dentro de campo.  
 

Por Péricles Bassols

Neymar e Alvaro González discutem durante o jogo(uol.bom.br)

Neymar e Alvaro González discutem durante o jogo | uol.bom.br

 Vimos Neymar ser expulso depois de agredir o atleta Álvaro González com um soco na nuca. A agressão seria um revide e teria origem em ofensas racistas feitas pelo jogador do Olimpique de Marselha ao craque brasileiro do PSG.
Após a expulsão, Neymar esbravejou contra o VAR pois, embora este tenha conseguido ver a agressão física, ele não teria visto as ofensas verbais proferidas. 
E o jogador está certo! 
Logo depois do ocorrido, Sandro Meira Ricci também escreveu um texto falando da necessidade do uso da ferramenta no combate a este câncer social chamado racismo. E eu vou fazer coro com os dois.
A princípio,  de acordo com o protocolo, o VAR não pode avaliar ofensas verbais durante o jogo. Ele não foi feito e pensado para isso e situações desta natureza,  assim entende a FIFA,  devem ser escutadas e controladas pela equipe de campo. Seria realmente difícil  para um árbitro apontar uma ofensa através de leitura labial. 
Além disso, a FIFA desenvolveu um protocolo - dos 3 passos - que visa inibir atos racistas. Mas, para isso, o árbitro tem que atuar, alertando (passo 1); paralisando momentaneamente (passo 2) e dando por encerrada a partida (passo 3). 
Esse protocolo até hoje não se mostrou muito eficaz, por culpa dos árbitros, da própria FIFA e das confederações que não cobram ações efetivas em campo.
Apesar de difícil, não é  impossível que um árbitro treinado na cabine consiga identificar, através de leitura labial, se houve ou não uma ofensa de cunho racial e, quando houver certeza absoluta, aplicar a expulsão. 
Garanto que o simples fato de existir a possibilidade de o VAR atuar nestes casos, já inibiria os covardes.
A pergunta que fica é: O futebol - e todos nós que vemos e vivemos dele - estamos dispostos a esperar, quando for o caso, pela análise da leitura labial? Pode ser que demore mais do que para avaliar um impedimento...Além disso, vamos usar a ferramenta para tentar resolver estas questões direto no campo ou deixar para os tribunais desportivos resolverem fora dele, como acontece hoje em dia? 
É  justo um atleta ser expulso por se descontrolar ou por reagir a ofensas raciais?
Eu acredito que seria válida uma possível "pausa" na partida para aguardar a análise, pela cabine de VAR, de uma situação de injúria de cunho racial. Acho, inclusive, que o motivo seria mais do que razoável e possibilitaria uma punição imediata, dentro de campo. 
Se quiser realmente fazer do futebol um esporte livre do racismo e um exemplo para o mundo, a FIFA tem a obrigação de ampliar os poderes do árbitro  de vídeo nesta questão. 
O VAR será, então,  uma ferramenta para justiça desportiva social, sempre que possível.

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