Esporte Interativo

Federações estaduais e a dificuldade de olhar para além do próprio umbigo

Dirigentes ainda não entenderam seus papéis na luta contra a epidemia e na ajuda aos clubes menos preparados para a crise.

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Por Jorge Iggor

Coronavírus no futebol: Federações estaduais precisam ter bom senso(Fernando Moreno/AGIF)

Coronavírus no futebol: Federações estaduais precisam ter bom senso | Fernando Moreno/AGIF

Clubes e federações se vêem, neste momento, diante de um enorme desafio esportivo e comercial: como tratar dos impactos no futebol da pandemia do coronavírus sem trazer danos à saúde dos profissionais e minimizando os prejuízos? Uma equação que, para ser resolvida, vai precisar de boas doses de equilíbrio e lucidez, além de senso de humanidade.


Sabemos que a realidade financeira da maioria dos clubes brasileiros, especialmente os de menor porte e que têm calendário apenas no primeiro semestre, é desesperadora. Dívidas enormes - algumas quase impagáveis - e receitas insuficientes para cobrir os rombos. Com os torneios parados, os caixas, já combalidos, também paralisam. 


Ao mesmo tempo, as federações estaduais se vêem em um negócio altamente lucrativo. Arrecadam nos jogos, muitas vezes, valores bem superiores aos dos seus filiados. Isso sem falar nas taxas de registros de jogadores, cotas de patrocínio dos torneios e repasses por parte da CBF, sendo assim suficientemente capazes de socorrer àquelas instituições mais desprotegidas para um momento de crise como esse e que, sem receitas, podem sofrer uma asfixia financeira fatal.


Fatal também é o vírus em questão. Não para os atletas, todos jovens e em bom estado de saúde, mas para idosos, pessoas de diferentes faixas etárias que possuam comorbidades e, eventualmente, até mesmo para crianças, como alertou a OMS (Organização Mundial da Saúde). A vítima pode ser a mãe, a avó de um jogador, pode ser um vizinho, pode ser um funcionário de algum estádio, pode ser um colaborador de um clube, pode ser um jornalista, pode ser qualquer um. Daí se percebe o tamanho da irresponsabilidade de tentar se manter competições a qualquer custo, como as federações de Ceará, Goiás e Roraima, por exemplo, pretendiam, apoiadas por alguns clubes.

É como se os profissionais do futebol estivessem numa bolha, imunes a qualquer tipo de vírus ou de acontecimento ruim. Mas quem vive na bolha, na verdade, é quem luta contra os fatos e contra a ciência, olhando para os números antes de olhar para as vidas. Uma bolha de egoísmo. Uma bolha moral.

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