Futebol Brasileiro

EXCLUSIVO: Ademilson, ex-São Paulo, revela vontade de retorno ao Tricolor e sonho com a Seleção

Em entrevista exclusiva ao Esporte Interativo, Ademilson diz que sonha em atuar pela seleção brasileira e revela gratidão ao São Paulo

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Por Victor Lopes

Ademilson sonha, também, em conquistar a Champions League(Getty Images)

Ademilson sonha, também, em conquistar a Champions League | Getty Images

O atacante Ademilson, ex-São Paulo e atualmente no Japão, jogando pelo Gamba Osaka, revelou com exclusividade ao Esporte Interativo sobre seu sonho de atuar pela seleção brasileira, a vontade de voltar ao Tricolor, além de contar como é a sua rotina no país.

O jogador de 26 anos começou nas categorias de base do São Paulo em 2005. Chegou à equipe profissional sete anos depois, onde permaneceu até a sua ida ao Japão. Hoje, Ademilson diz ser muito grato ao clube pela estrutura e aprendizado.

Cheguei aqui hoje graças ao São Paulo que me ajudou muito, está no meu coração. Pessoas ali dentro que estiveram do meu lado, outras nem tanto, mas o clube não se faz de uma pessoa só. Sou muito grato mesmo ao São Paulo por tudo que me deu, desde pequeno com os alojamentos, educação. É um dos maiores do Brasil, se não for o primeiro, em termos de educação, de futebol de base", declarou.

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Questionado sobre o seu retorno ao Tricolor, o atacante assumiu que tem vontade. "No Brasil, é um dos maiores times. Se tiver oportunidade um dia de voltar, voltaria com o maior prazer. Um clube que está sempre brigando, gostaria sim de voltar algum dia", revelou.

Por ser muito jovem, Ademilson ainda tem diversos sonhos para a sua carreira. Um deles é o de atuar pela Seleção. "Jogar uma grande competição pela seleção brasileira, jogar na Europa por um grande clube, jogar uma Champions League, ganhar uma Champions League... Meus sonhos seriam esses hoje".

Confira a entrevista exclusiva na íntegra: 

Esporte Interativo: Como foi o início da pandemia no Japão? Tem alguma história curiosa que passou durante o período em que se iniciou a pandemia? Como a população japonesa “recebeu” essa pandemia?

Ademilson: No começo, pra gente, era tudo novo. Aqui foi um dos primeiros países a ter o vírus, muitos chineses vêm pra cá pelo fato de ser perto. A gente não conhecia nada, no começo não ficou tanta preocupação, sabíamos do vírus, mas nada de anormal. Quando chegou um navio em uma cidade aqui do Japão, em Yokohama, já tinha muita gente infectada. Começou a se preocupar mais, mas o japonês já usa máscara mesmo sem estar doente, isso ajudou bastante. Eles não têm tanto contato, não se cumprimentam muito, não se abraçam, não se beijam, isso ajudou bastante, por isso aqui no Japão não se espalhou tanto como em outros países.

Esporte Interativo: Qual a situação atual do futebol japonês? Muito se fala que os campeonatos voltarão no dia 15 de maio. Existe a possibilidade dessa data ser alterada? Você sente que pode demorar mais tempo para voltar?

Ademilson: Aqui no Japão não tem uma data certa, mas eles falaram que vão tentar voltar na primeira semana de junho, se não estou enganado. Estamos em casa, fazendo tudo de casa, algumas cidades estão em estado de emergência. Os times passaram os treinamentos para fazer em casa, estamos esperando eles falarem para voltar. Adiaram a volta já umas três vezes, agora deram dois meses de adiamento. Dessa vez a chance é maior de acontecer, espero que dê tudo certo para voltar no começo de junho. O mais importante é melhorar o país, a saúde, e, depois, ver o futebol.

Esporte Interativo: Com relação aos treinos, seu clube também definiu uma data de “reapresentação”? O que foi passado a vocês? Segue treinando em casa, existe um acompanhamento também?

Ademilson: Eles colocaram uma data para voltar os treinamentos no dia 30 de abril. Mas acho que vão voltar poucos jogadores, vão treinar só alguns jogadores, um ou dois da comissão, vão treinar durante cinco dias, folga dois. Na outra semana, mais jogadores, e aí a mesma coisa. Se der certo, continuar melhorando, acho que volta o time inteiro. Acredito que no meio, mais pro final do próximo mês, já esteja treinando todo mundo junto.


Esporte Interativo: Por conta da paralisação dos campeonatos, muitos jogadores resolveram voltar para o Brasil. Por que decidiu ficar no Japão?

Ademilson: Na verdade, não fui eu que decidi, não pedi para ir embora, não me mandaram embora. Quando paralisou o campeonato, eles colocaram a volta em 20 dias. Aqui no Japão não estava tão grave. Acredito que, por conta das Olímpiadas, eles queriam passar mais tranquilidade para o restante do mundo. Quando dava 10 dias, eles colocavam mais 20 dias, não dava pra voltar porque eles não colocavam uma data definida, tínhamos que continuar treinando para voltar. Agora que eles deram esses dois meses, já não dá para ir por conta dos voos, agora não dá pra voltar. Não foi a gente que definiu, temos contrato, não pedimos para ir embora, tínhamos na cabeça que o campeonato voltaria. Continuamos aqui no país, trabalhando, fazendo o que eles pediram e esperando o momento da volta.

Esporte Interativo: Jogador tem uma vida muito agitada, intensa, muitas viagens e concentração. Agora é um momento de ficar em casa. O que tem feito para passar o tempo? Aprendeu alguma coisa nova? (cozinhar, tocar alguns instrumentos etc)

Ademilson: O que eu estou mais fazendo é assistindo filme. Caraca, eu passo o dia inteiro vendo filme. Eu não gostava antes, assistia um por dia, achava legal. Agora, passo a tarde inteira vendo filme, vou treinar e depois volto a assistir. Me tornei aquilo que menos queria (risos). Cozinhar eu não sei, mas estou tendo que cozinhar, então é bom que passa o tempo. Eu gosto de cozinhar, mas não sei. Às vezes estudo japonês, estudo três dias, mas aí fico um mês sem estudar. O que mais passo o tempo fazendo é assistindo filme.

Esporte Interativo: Você está no futebol japonês desde 2015, e recentemente renovou seu contrato. Muitos jogadores vão para o Japão, ficam de 2 a 3 anos e voltam ou vão para outra liga. O que te fez gostar tanto do Japão? O que tem de especial por aí?

Ademilson: Aqui é muito bom mesmo, eu gosto muito. Muitos jogadores me perguntam antes de vir para cá, e eu sempre falo muito bem. Eles depois confirmam que realmente é muito bom. Vejo muitas pessoas que passam aqui e depois querem voltar. Eu estou tranquilo aqui, a torcida gosta muito de mim, eu também gosto muito deles. Aqui são muito respeitosos, um país seguro, país que funciona bastante, já faz parte da minha vida, no coração e, hoje, não tenho vontade nenhuma de sair daqui.

Esporte Interativo: Você passou por todas as categorias de base da seleção brasileira. O que faltou para vestir a camisa da Seleção principal?

Ademilson: Passei pelas Seleções de base, foi bom para meu crescimento. A gente não sabe, mas com certeza faltou muita coisa, principalmente de mim. Muitos jogadores na minha frente, de estar aparecendo mais, estar em uma grande liga, mais vistosa aos olhos de quem avalia. Estou fora do radar, mas é um sonho muito grande, espero um dia realizar e vou correr atrás disso.

Esporte Interativo: Você jogou em apenas 3 clubes na sua carreira. Tem algum clube que você tem muita vontade de jogar? Que sempre se imaginou vestindo a camisa?

Ademilson: Não tem. Como eu cresci no São Paulo, o clube que tinha muita vontade era o São Paulo, consegui realizar. Claro que tenho muita vontade de jogar na Europa, na Seleção. Na Europa tem bastante clube, mas não dá para dizer um time só.

Esporte Interativo: Você dedicou muitos anos da sua vida ao São Paulo. Foram mais de 100 jogos, subiu para o profissional muito novo. O que o São Paulo representa pra você? Ainda acompanha o time?

Ademilson: O São Paulo me ajudou de uma forma gigantesca, sou eternamente grato. Cheguei aqui hoje graças ao São Paulo que me ajudou muito, está no meu coração. Pessoas ali dentro que estiveram do meu lado, outras nem tanto, mas o clube não se faz de uma pessoa só. Sou muito grato mesmo ao São Paulo por tudo que me deu, desde pequeno com os alojamentos, educação. É um dos maiores do Brasil, se não for o primeiro, em termos de educação, de futebol de base. Sou eternamente grato. Acompanho, o horário é meio difícil pra acompanhar, mas vejo as notícias, sigo o clube nas redes, quando dá pra assistir jogo eu assisto. Torço de longe aqui.

Esporte Interativo: Você é são-paulino? Quer um dia voltar a jogar pelo São Paulo? Já pensou nisso? Aquela velha história de se aposentar no clube do coração.

Ademilson: Hoje eu sou são-paulino, virei. Muitos anos jogando no clube, me ajudou muito. Hoje, aqui de longe, acompanho o São Paulo e torço para o São Paulo sim. Tenho vontade. No Brasil, é um dos maiores times. se tiver oportunidade um dia de voltar, voltaria com o maior prazer. Um clube que está sempre brigando, gostaria sim de voltar algum dia.


Esporte Interativo: Em 2013, o São Paulo disputou a Libertadores e enfrentou o Atlético Mineiro, de Ronaldinho Gaúcho, na fase de grupos e depois também nas oitavas. Você fez o gol da classificação na fase de grupos. Queria que você falasse sobre essa Libertadores e desse jogo em especial.

Ademilson: Essa Libertadores me marca até hoje. Tanto para o lado bom quanto para o ruim. O lado bom foi nesse jogo, na fase de grupos, pude fazer o gol que classificou o time. Acabamos pegando o Atlético Mineiro, de novo, nas oitavas. Eu entrei nesse jogo, o Aloísio saiu machucado, estávamos ganhando por 1 a 0. Entrei rápido, em menos de 20 minutos tive três chances, não consegui fazer o gol. Na sequência, o Lucio foi expulso e o treinador teve que tirar alguém, me tirou pra colocar um zagueiro. Lembro que sai aplaudido, mesmo errando os três gols, eu entrei bem. Depois da expulsão, que eu sai, tomamos a virada. Quando acabou o jogo, eu fui o vilão desse jogo, esqueceram da expulsão, até hoje me marca. Encontrei um amigo meu aqui, em 2015, são-paulino roxo, e ele lembrou desse jogo. Me elogiou bastante e no final falou que me xingou muito. Torcedor leva pro lado que quer, mas temos que entender, essa Libertadores me marcou para os dois lados.


Esporte Interativo: Depois, no mata-mata contra o Galo, aquele gol da 'Água de Ronaldinho'. Uma situação muito inusitada e muitos falam que foi planejado. Qual foi a resenha no vestiário depois desse gol? O que vocês falaram desse lance? Conta uma história boa dessa situação.

Ademilson: Ronaldinho é um gênio, dele pode esperar essas coisas. Ele se aproveitou do momento, acho que não foi planejado. Como ele viu o momento propício, ele fez aquilo. No vestiário não lembro muito, pessoal estava triste por conta do resultado. Lembro que eu e os meninos mais novos ficávamos nos perguntando: “Será que estava planejado?”. Ele pegou uma vantagem bacana. Não teve nenhuma resenha, estávamos tristes. Mas, de fato, estávamos nos perguntando se foi planejado. Vindo dele pode se esperar que sim, mas eu acho que não.

Esporte Interativo: Nesse período em que você está no Japão, você foi procurado por algum clube brasileiro? Algum clube demonstrou o interesse em contar com o seu futebol?

Ademilson: Sempre que a janela abre no Brasil, eles procuram saber, falam de valores. Deixo com meu empresário, sempre tem. Até agora nada concreto, e nada que me interessasse sair daqui e ir para o Brasil, estou tranquilo. No momento certo, se tiver que acontecer, vai acontecer. Enquanto isso, estou aqui no meu time e espero dar muitas alegrias para os japoneses também.

Esporte Interativo: Para finalizar, você tem 26 anos, ainda é jovem. Qual seu grande sonho no futebol?

Ademilson: Meu grande sonho... Já realizei bastante coisa, sou muito feliz. Acho que seria jogar uma grande competição pela seleção brasileira, jogar na Europa por um grande clube, jogar uma Champions League, ganhar uma Champions League... Meus sonhos seriam esses hoje.

 
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