Futebol Brasileiro

Preparador físico do Bahia elogia jogadores em meio à quarentena: 'Estão sendo muito profissionais'

Luiz Andrade comenta sobre desafios e dificuldades de se trabalhar à distância e sem projeção de retorno do futebol

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Por Redação do Esporte Interativo

Luiz Andrade em atividade pelo EC Bahia(Divulgação EC Bahia)

Luiz Andrade em atividade pelo EC Bahia | Divulgação EC Bahia

Em meio à paralisação do futebol por conta do novo coronavírus, os jogadores de muitos dos clubes do Brasil e do mundo não podem parar. Seja por vídeos nas redes sociais ou por divulgação das equipes, vemos a rotina dos atletas, que, claro, são aliadas a um trabalho de profissionais dos clubes.

Um desses profissionais é Luiz Andrade, preparador físico do Bahia, que conversou com exclusividade com Clara Albuquerque. Para ele, mesmo na atual situação (com o futebol paralisado e de férias forçadas no EC Bahia), os jogadores estão dando exemplo de profissionalismo. 

Nós deixamos os primeiros 10 dias de férias livres. A partir de ontem (segunda-feira, 13), voltamos a sugerir os treinamentos. Determinamos uma planilha para eles, passamos no grupo dos atletas e eles estão seguindo. Mas foi interessante mesmo nesses 10 dias livres, porque todos postavam treinos, às vezes mandavam fotos. O atleta de futebol necessita, o corpo dele pede o treinamento. Então nós já imaginávamos isso.

Além de reconhecer o esforço dos atletas, Luiz ainda detalhou os desafios e as novas maneiras de trabalhar à distância, de forma virtual. 

"É uma situação que nós nunca havíamos passado. Mas achei positiva. Sugerimos os treinos diariamente, mas na verdade o atleta de futebol está muito profissional hoje em dia. Então, uma das sugestões que fizemos foi falar: 'rapazeada, vocês sabem a importância que vocês têm, cuidem do instrumento de trabalho de vocês, que é o corpo'. Eles são muito profissionais. Eles se adaptaram à realidade de cada um e estavam muito interessados, mandando mensagens tirando dúvidas. Achei que foi bem positivo."

 

Confira outros destaques da entrevista:

Para os jogadores que estão treinando em casa falta o contato com a bola, com companheiros. Quais as principais desvantagens, em termos de preparo físico, para jogadores de futebol que estão fazendo as atividades apenas em casa?

"A maior desvantagem é a questão da 'especificidade' (princípio do treinamento esportivo que defende os treinos nos mesmos moldes de onde o atleta irá atuar ) no treino. Você não tem o gramado, a bola, o contato físico com outros atletas. O que a gente tenta fazer é orientar os jogadores que eles não 'destreinem', você necessita estar com o corpo ativo. Estamos tentando fazer um misto de capacidades físicas diariamente para que eles possam sentir menos quando retornarem. Porque todos os atletas, não só do Bahia, vão sentir diferença quando voltarem." 

Isso ainda não aconteceu no Brasil, mas na Europa alguns clube alemães voltaram aos treinamentos, enquanto outras equipes ainda não o fizeram. Esses clubes que começaram antes pode ter uma vantagem muito grande quando os campeonatos voltarem?

"Eu acredito que sim. Pode ser que eles tenham vantagem, porém relacionada à preparação física. A gente não pode esquecer que o futebol é um conjunto de atributos: parte técnica, tática, mental... A parte física é só mais uma delas. Não quer dizer que quem voltou a treinar 2 semanas depois que o adversário vai perder o jogo. Na realidade, quando se fala em parte técnica e tática, quando os treinadores tem a capacidade de gerir e conhecer bem os seus jogadores, um sistema de jogo definido, isso tudo pode facilitar na volta. Com relação a parte física, esses clubes que voltaram antes podem estar melhores, sim, mas eu não vejo isso como determinante quando se fala em competição, em uma partida de futebol."

Com os campeonatos paralisados, muito provavelmente teremos um calendário que já é curto, como o brasileiro, ainda mais apertado. O que isso muda em termos de preparação e até como isso arrisca os jogadores em termos de lesões, com times jogando a cada 72 horas, por exemplo?

"Isso não muda tanto nossa realidade, já que o calendário brasileiro é apertado mesmo. O melhor para se lidar com essa situação é se apegar muito na recuperação, e aqui no Bahia temos uma equipe multidisciplinar, competentíssima, com fisioterapeutas, toda a área de saúde, nutricionista... Estamos muito engajados em trabalhar juntos nessa questão da recuperação. Isso vai ser o mais importante para nós. E, claro, quem tiver um elenco bem qualificado e puder fazer o rodízio dos atletas, terá uma vantagem nesse quesito."

Como está o planejamento do Bahia para a volta das atividades? Vão retornar no dia 20 de abril, ou ainda não se sabe muito bem?

"A partir do momento em que recebemos a notificação de férias, estamos nos organizando para voltar no dia 20. Porém, nós não sabemos. Acho que é geral, no mundo inteiro, não temos precisão das datas. Sugerimos os treinos para os atletas nesta semana, imaginando que a gente pudesse voltar agora no dia 20. Estamos esperando respostas, porém ainda não sabemos. Essa semana não será perdida, porque os atletas voltaram a treinar de forma regular. Se voltarmos semana que vem, ótimo. Se não, seguiremos com uma sequência lógica de treinamentos em casa. O que pode mudar nesse período é cobrá-los um pouqinho mais e atendê-los de forma mais próxima também."

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