Futebol Brasileiro

Presidente do Santos diz sobre Robinho: 'Se for condenado, vamos pedir a rescisão'

Em entrevista à imprensa nesta terça-feira (21), Orlando Rollo, presidente do Santos, explicou a suspensão do contrato com Robinho na semana passada 

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Por Redação do Esporte Interativo

Robinho chegou a fechar contrato com o Santos, que foi suspenso na semana passada(Getty Images)

Robinho chegou a fechar contrato com o Santos, que foi suspenso na semana passada | Getty Images

Em entrevista à imprensa nesta terça-feira (21), Orlando Rollo, presidente do Santos, explicou os motivos que levaram, na semana passada, à rescisão do contrato de Robinho com o clube. 

Robinho foi condenado em primeira instância a nove anos de prisão por violência sexual de grupo contra uma jovem, em 2013. Após divulgada sua chegada à equipe santista, o clube foi bastante pressionado por conselheiros e patrocinadores e, por fim, acabou suspendendo a contratação do jogador.

"Decidimos uma licença do contrato para que o atleta possa se defender no processo que responde na Itália. Não vou entrar no mérito se é culpado, inocente. Não sou ninguém para julgá-lo. Ele tem de ser julgado pelo juiz na Itália. Temos de apedrejar menos e ter mais tolerância. Eu já fiz muito, na minha carreira, porque sou policial. Eu abomino o crime de estupro. Abomino qualquer tipo de violência, qualquer tipo de violência sobre as mulheres", disse Rollo. 

O presidente também comentou sobre sua trajetória e comparou o caso de Robinho à Escola Base, que aconteceu no Brasil em 1994. 

"Nos meus 18 anos de polícia, já prendi dezenas de estupradores. Já investiguei dezenas de estupradores. Já levei à condenação dezenas de estupradores. Então, eu efetivamente luto contra esse crime, inclusive um caso que ficou muito conhecido em Santos, o do Maníaco do Ônibus, que atacava mulheres nos ônibus, fui eu que prendi. Podemos estar diante de um novo caso da Escola de Base", explicou.

A defesa da vítima 

A vítima, uma mulher de origem albanesa, diz que foi à boate em 21 de janeiro de 2013 para comemorar seu aniversário de 23 anos ao lado de duas amigas. No dia, a programação da boate era dedicada à música brasileira.

Lá, estava Robinho junto a sua eposa e um grupo de quatro amigos. A violência contra a jovem teria ocorrido dentro do camarim usado pelo músico Jairo Chagas.

No depoimento à justiça, a vítima disse que conheceu Robinho dois anos antes do crime – em 2011, em outra boate de Milão. Disse que em duas oportunidades em que se encontraram, o jogador, na primeira, pegou a mão dela e colocou em seu abdômen; na segunda, eles dançaram numa festa, e o jogador “tentou lamber o seu seio”. Mas ela disse que os episódios não a preocuparam.

Segundo a vítima, um dos amigos de Robinho a convidou para ir ao Sio Café, mas informaram que só deveria se aproximar da mesa depois que a mulher do jogador fosse embora.

Assim que isso aconteceu, ela e duas amigas se juntaram ao grupo de brasileiros, que depois passou a ter também a presença de Ricardo Falco. Segundo a vítima, os brasileiros ofereceram várias bebidas alcoólicas, mas apenas ela bebia, pois uma das amigas estava grávida e a outra estava dirigindo.

Por volta das 1h30 da madrugada, suas duas amigas foram embora e prometeram voltar para buscá-la. Ela, então, permaneceu na boate dançando com os amigos de Robinho quando, sem ar e um pouco "tonta", ela foi para a área externa do local. Lá um dos acusados no processo que corre à parte tentou beijá-la.

Segundo suas recordações, ela ficou no local sozinha por alguns minutos e "percebeu" que o mesmo amigo e Robinho estavam “aproveitando” dela.

– Acredito que no início estivesse fazendo sexo oral em [NOME DO AMIGO 3], e Robinho aproveitava de mim de outro modo, e depois eles trocaram de papel, dali não me recordo mais nada porque me encontrei rodeada pelos rapazes, não sabia o que acontecia – disse a vítima no depoimento.

Nos dias seguintes ao episódio, a jovem teve contato com Falco e com um dos outros brasileiros que estiveram na boate através de mensagens no Facebook e pelo telefone. Ao primeiro, disse que iria procurar um advogado. Ao segundo, ela chegou a dizer que estava grávida (com a intenção de "deixá-lo preocupado").

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