Futebol Brasileiro

Sozinho no Japão e com futebol paralisado, Ezequiel teve medo da depressão: "queria me isolar mais"

Atacante, que passou por Botafogo, Cruzeiro e Sport, casou em janeiro e ainda não conseguiu levar a esposa para Hiroshima

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Por Monique Danello

Sozinho no Japão e com futebol paralisado, Ezequiel teve medo da depressão: "queria me isolar mais"

Sozinho no Japão e com futebol paralisado, Ezequiel teve medo da depressão: "queria me isolar mais"

Jogar fora do Brasil era um sonho, mas Ezequiel não imaginava que o início da sua trajetória no futebol japonês seria tão complicado. O atacante de 22 anos foi negociado pelo Botafogo com o Sanfrecce Hiroshima, do Japão, e desembarcou no país asiático em janeiro deste ano. A rotina do jogador também foi afetada pela pandemia de covid-19. Até semana passada, os treinamentos seguiam normalmente, mas as competição estavam paralisadas. A partir de agora, o clube decretou duas semanas de quarentena. Ezequiel não consegue voltar para o Brasil e está sozinho no Japão.

"Sendo muito sincero, a gente vem aqui para jogar, o que alegra a gente é jogar futebol. Estamos longe da nossa família, dos nossos amigos, o que a gente vem fazer aqui é fazer o que a gente ama. Se não tem o jogo em si, aquela adrenalina, você treina sem objetivo, correndo o risco de algo mais sério, talvez se machucar, entrar em depressão, como amigos próximos a mim perguntaram se estava com depressão, porque aindei muito triste, andei bem para baixo", relatou o jogador.

Ezequiel e Juliana casaram no Brasil, em janeiro | Foto: Divulgaçao/Instagram

Ezequiel casou em janeiro deste ano e a ideia era levar a esposa Juliana para morar com ele em Hiroshima. O casal teve dificuldade para conseguir o visto e, logo depois, com o fechamento dos aeroportos e cancelamento dos voos, a viagem se tornou inviável. O atacante se preocupa com a incerteza em relação ao futuro e sente saudade da família.

"Eu casei em janeiro, fiquei na expectativa da minha esposa conseguir vir. Mas, sempre que a gente fazia tudo para conseguir o visto, dava algum problema, aí adiavam a data. Agora a gente já não sabe se vai se ver esse ano, talvez só no final do ano ou talvez daqui a dois meses, só ano que vem. Não sabemos se vai voltar o campeonato, se vai ter campeonato, essa incerteza é muito ruim", explicou o atacante.

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A preocupação dos amigos também era a de Ezequiel. Longe da família e sem poder jogar futebol, o jogador reconhece que apresentou alguns sinais de depressão.

"Eu costumo ser muito brincalhão, extrovertido, mesmo quando as coisas estão ruins. Por exemplo, já passei por fases difíceis no futebol, graças a Deus não sofri nenhuma lesão séria. Mas eu nunca fiquei para baixo ou tratei alguém mal por causa disso. Só que eu comecei a ver que isso estava me afetando muito, quando eu não tinha mais alegria, estava sem alegria de ir treinar, meus amigos me mandavam mensagem querendo conversar, ligar por vídeo e eu não tinha vontade. Eu já estava isolado e queria me isolar mais. No telefone eu já não via graça, rede social não via graça, já zerei todas as séries, é como se tivesse sem razão de viver. Mas hoje estou bem, conversei bastante com minha família e já estou bem", relatou o jogador.

Extrovertido, assim como ele mesmo definiu, Ezequiel entrou na brincadeira durante o papo ao vivo no Fora de Jogo, no instagram do Esporte Interativo. Arriscou umas palavrinhas em japonês, respondeu as mensagens de torcedores do Botafogo e do Sport e também contou algumas curiosidades da vida no Japão. Com saudade de feijão e açaí, o jogador tenta se adaptar aos novos hábitos, do outro lado do mundo.

"Gosto bastante de sushi, porque já comia no Brasil. Aqui tem guaraná, tem churrascaria, estou sentindo muita falta de açaí e de feijão. Acho que a língua foi um dos fatores mais difíceis para eu me adaptar aqui. Eu sabia que era um futebol diferente do Brasil, mais corrido, mas eu já tenho as características do futebol daqui, velocidade, a parte da bola não me atrapalhou muito. Mas com a comunicação eu sofri. Eles são bem esforçados, sabem que a gente entende um pouco de inglês, japonês, hoje já estou tranquilo", contou Ezequiel.

A previsão inicial era de que a paralisação no futebol japonês chegasse ao fim no dia 15 de abril, data que foi alterada, posteriormente, para 9 de maio. Com o período de duas semanas de quarentena, decretado nesta segunda-feira (13.4) pelo Sanfrecce Hiroshima, Ezequiel acredita que esse prazo deve mudar novamente.

 
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