Futebol Brasileiro

Torcida do Colo-Colo pede veto à contratação de Felipão por comentários sobre ditadura chilena

Técnico disse em entrevista à Rádio Jovem Pan, em 1998, que ditador chileno Augusto Pinochet "fez muita coisa boa também" ao país

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Por Redação do Esporte Interativo

Felipão está sem clube desde setembro do ano passado, quando deixou o Palmeiras(Pedro Vale/AGIF)

Felipão está sem clube desde setembro do ano passado, quando deixou o Palmeiras | Pedro Vale/AGIF

A possibilidade da chegada de Luiz Felipe Scolari ao comando do Colo-Colo repercutiu de maneira negativa no Chile. Na última sexta-feira (28), um grupo de torcedores do clube intitulado "Antifascistas de la Garra Blanca" pediu o veto à contratação por conta de comentários elogiosos à ditadura militar chilena, comandada por Augusto Pinochet, entre 1973 e 1990.

Em 1998, numa entrevista à 'Rádio Jovem Pan', Felipão afirmou que "Pinochet fez muita coisa boa também. Ajeitou muitas coisas lá (no Chile). O pessoal estava meio desajeitado. Ele pode ter feito uma ou outra retaliaçãozinha aqui e ali, mas fez muito mais do que não fez. Há determinados momentos que ou o pessoal se ajeita ou a anarquia toma conta”.

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Em nota, o grupo antifascista se disse "enojado" pelo Colo-Colo prenteder contratar o técnico e aproveitou para "declarar guerra" a Scolari.

"Nos enoja saber que Luiz Felipe Scolari seja pretendido pelos nefastos da diretoria como treinador de nosso grande clube. Um sujeito nefasto que não teve vergonha em elogiar o genocida Pinochet e indicar que, às vezes, é necessária a violação dos direitos humanos para manter a ordem", escreveu.

"Vamos declarar guerra à chegada de Scolari e de qualquer um que abrace práticas e ideias fascistas. Nós avisamos. Te declaramos persona non grata no Colo-Colo e povo do Chile. E vocês da diretoria não passarão impunes por rirem na cara de nossa gente", completou.

Torcida do Colo-Colo diz não querer a contratação de Luiz Felipe Scolari. Crédito: Reprodução

Sem clube desde que deixou o Palmeiras, em setembro do ano passado, Felipão comandaria seu nono clube fora do Brasil. Antes, ele passou por Al Shabab-SAU, Qadsia-KUA, Al Ahli-SAU, Jubilo Iwata-JAP, Bunyodkor-UZB e Guangzhou Evergrande-CHN. Ele ainda treinou as seleções do Kuwait e Portugal, além da do Brasil.

Veja abaixo, na íntegra, a nota traduzida enviada pelo grupo de torcedores do Colo-Colo pelas redes sociais:

"DIZEMOS 'NÃO' AO FASCISMO NO COLO-COLO

Nos enoja saber que Luiz Felipe Scolari seja pretendido pelos nefastos da diretoria como treinador de nosso grande clube. Um sujeito nefasto que não teve vergonha em elogiar o genocida Pinochet e indicar que, às vezes, é necessária a violação dos direitos humanos para manter a ordem.

É isso que queremos para o Colo-Colo? Ainda mais agora, em que a tirania de Piñera matou e mutilou nosos irmãos e irmãs por conta do mesmo pensamento plantado por esse sujeito, a chamada 'ordem pública'. Nós dizemos NÃO ao fascismo no Colo-Colo, NÃO ao pinochetismo em nosso clube, que tem origens populares e rebeldes, por isso nunca as trajetórias e triunfos de alguém primarão sobre seu pensamento, posição política e sobretudo seus valores humanos. Colo-Colo não deve ter nenhuma relação com aqueles que elogiem a repressão contra um povo que só exige aquilo que é justo e foi furtado do direito de uma vida digna durante décadas. 

Nós, do coletivo Antifascistas de la Garra Blanca, vamos declarar guerra à chegada de Scolari e de qualquer um que abrace práticas e ideias fascistas. Nós avisamos. Te declaramos persona non grata no Colo-Colo e povo do Chile. E vocês da diretoria não passarão impunes por rirem na cara de nossa gente."

 
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