Futebol Brasileiro

Treinos em casa, brincadeiras com os filhos e resenha virtual: como Thiago Galhardo encara os dias de quarentena

Em grande fase no Colorado, meia tenta diminuir os impactos da paralisação e se prepara para um período maior de férias forçadas

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Por Monique Danello

Thiago Galhardo já marcou quatro gols pelo Internacional em 2020(Ricardo Duarte / SC Internacional)

Thiago Galhardo já marcou quatro gols pelo Internacional em 2020 | Ricardo Duarte / SC Internacional

A última vez que o Internacional entrou em campo foi há quase um mês (15.03), contra o São José, pelo Campeonato Gaúcho. Na goleada por 4x1, antes da paralisação pela pandemia de covid-19, Thiago Galhardo marcou o quarto gol dele na temporada, se igualando a Paolo Guerrero na artilharia da equipe. Há quase 30 dias treinando em casa, o meia trabalha para tentar diminuir os impactos provocados pela quarentena.

"Eu brinco com minha família e meu irmão que eu comecei o ano muito bem, fazendo gol, terminei essa "primeira parte" do ano bem. Essa parada para mim é ruim, individualmente e olhando para o lado do grupo também. Nós estávamos em uma crescente muito boa, conseguindo realizar o que o Coudet pedia, jogar da mesma forma dentro e fora de casa, tendo posse de bola, arriscar saída de bola para levar perigo, rodar a bola. Não é que a gente vai retomar do zero, nem fisicamente, nem taticamente, mas acaba que atrapalha um pouco", analisou o jogador.

 


A fase de Thiago Galhardo era boa e a do Internacional também. Foram 15 jogos na temporada: nove vitórias, cinco empates e apenas uma derrota. No momento em que a equipe conseguia colocar em prática as ideias do argentino Eduardo Coudet, todos os campeonatos no Brasil e na América do Sul foram paralisados. A primeira medida tomada pelos clubes brasileiros foi conceder um período de férias coletivas para atletas, comissão técnica e funcionários do futebol. O retorno estava previsto para 21 de abril, mas Galhardo já se prepara para uma paralisação ainda maior.
 

"O que eu estou sabendo é que até o meio dessa semana teremos uma posição, por volta de quarta ou quinta-feira. Já foi acordado isso, quando nós saímos de férias, que eles dariam uma resposta para nós no dia 15 ou 16 de abril. Por todo o cenário, que a gente tem visto no Brasil e na América do Sul, para retomar uma Sul-Americana, uma Libertadores, é inviável no momento. Sabemos que no Brasil ainda não bateu o pico. Por mais que as pessoas estejam se cuidando, é muito arriscado voltarmos a treinar ainda, sem previsão de competição. Acredito que vai ter uma nova conversa, deve sim estender esse prazo. Vamos sofrer no final do ano, ficar ou não sem férias, tem as datas festivas, que é uma coisa que o brasileiro, por si só, não iria encher estádio, vai ter que parar novamente. Mas não temos que pensar nisso agora, temos que pensar na nossa saúde e na de todos que vivem o futebol, que acompanham. O jeito é a gente ir se preparando, entender que quarentena não é férias. Por mais que a gente não consiga treinar 100%, como faz no clube, tentar voltar com 70, 80% da forma física para poder recuperar o quanto antes e recomeçar as competições", explicou o meia.

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Além dos treinos em casa, Thiago Galhardo aproveitou boa parte da quarentena com os filhos, quando ainda estavam em Porto Alegre. A música também é uma opção para passar o tempo, assim como a resenha virtual, uma forma de matar a saudade dos companheiros de clube.

"Foram dias muito legais, coisas que eu nunca passei, porque quando a gente sai de férias a gente viaja, não tem o hábito de ficar em casa. Viagem é só alegria, coisa boa. Ali eu vi o quanto é difícil criar, mas foi tão legal, tão intenso para mim, poder colocar para dormir, acordar, almoçar com eles, brincar na piscina, jogar bola, coisa que não tinha passado ainda, desde o nascimento dos meus filhos, por conta da correria do futebol e porque nas férias a gente sempre pegava para viajar. Foi um mês muito bom, 20 dias totalmente em casa com eles brincando. A gente fica meio que entediado em casa, estamos acostumados com uma rotina de encontrar toda hora, brincar um com o outro, rotina de concentração, de jogos, tudo isso a gente tem sentido falta. A gente acaba procurando soluções, tenho certeza que os torcedores ficam felizes, eles gostam de nos ver. Acho que é bem legal, bem pertinente, não é marcado, do nada um entra, invade a live do amigo. Lembrando sempre da importância de ficar em casa, lavar as mãos, usar álcool em gel, pensando não só na gente, mas nas pessoas ao nosso redor", reforçou Galhardo.

Confira outros trechos de destaque da entrevista:

Conversa com o Internacional e possibilidade de redução de salário
Não dá para a gente conversar hoje porque não sabemos se vai voltar daqui a 10 dias, um mês, dois meses. Já tem um pré-acordo entre nós, do que eles aguentariam pagar a gente, desse tempo parado. E, obviamente, se isso continuar por mais tempo, essa conversa terá que ser refeita para se chegar em um acordo. Nós, jogadores, temos que entender que não é uma imposição do clube, eu acho isso magnífico, ter uma conversa, porque todos vão acabar perdendo. O clube perde em receitas, sem os treinamentos, férias obrigatórias. Nós também perdemos sem treinar, então no final a gente também tem que abrir mão de alguma coisa. Tem que ser entendido que o clube depende de renda, de jogos, de sócio-torcedor, porque a economia do país já começou a parar, tem muita gente sendo prejudicada, tanta gente que trabalha no entorno dos estádios e que hoje também estão sofrendo com isso. Que fique em um acordo bom para ambos, para que o clube não sofra tanto e nós jogadores também não.

Adaptação e bom começo de temporada
Fui muito bem recebido no clube por todos, isso facilita. Os treinos você tem que pegar da forma mais rápida, o Coudet é muito exigente, podemos dizer "chato" com isso. Questão técnica, física, tática, ele cobra bastante. Começar os treinamentos bem e no primeiro jogo fazer o gol, te dá uma confiança a mais. Sabemos que toda profissão depende de confiança para poder fazer seu melhor. Quando você tem sua própria confiança, ajuda bastante. Esse é o segredo, entrar nos jogos sempre feliz, solto, alegria de estar em um grande clube como esse, que me dá a melhor estrutura para trabalhar, só preciso me preocupar dentro de campo.

Artilharia dividida com Paolo Guerrero
É momentâneo (risos). Sabemos que o Paolo Guerrero é um grande jogador, por onde passsou tem média de mais de 20 gols por ano. Daqui a pouco ele vai passar, é o artilheiro do time, nosso homem gol, referência, mas fico feliz. Não por estar perto da artilharia, mas por estar fazendo meus gols, ajudando outros companheiros. Se não for com gol, que seja com uma assistência, ou um carrinho, tirando uma bola, eu quero é contribuir, independente da função, da posição, se o Thiago estará fazendo gol ou não.

Atuação contra Universidad Católica e trio com Guerrero e Marcos Guilherme
Realmente, fizemos um grande jogo, criamos muitas oportunidades, conseguimos marcar em cima, pressionar, de fato eles não conseguiram respirar. Podemos dizer que foi nosso melhor jogo no ano, acho que não só pelos gols, pela atuação geral, torcedores jogando com a gente, quem entra tem ajudado muito a equipe. Mas não somos só nós três, tem o Boschilia, o Edenilson, nossa linha de zaga que ainda não tomou nenhum gol na Libertadores. Tem que elogiar todos. É um conjunto, ter entendido o modelo de jogo que Coudet tanto pede, acho que isso é o principal. Mas realmente, foi um grande jogo, dei assistência para o Guerrero, tive até a oportunidade de fazer o gol, achei que estava tão sozinho na hora, que o cara consegiu chegar e interceptar a bola. É a ansiedade de poder fazer um gol no Beira-Rio, foram quatro gols fora de casa. Mas sei que vai sair na hora certa.

 

 
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