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A peregrinação do Borussia Dortmund na Bundesliga e na Champions

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Por Redação do Esporte Interativo

DORTMUND, GERMANY - NOVEMBER 22: Axel Witsel of Borussia Dortmund looks dejected during the Bundesliga match between Borussia Dortmund and SC Paderborn 07 at Signal Iduna Park on November 22, 2019 in Dortmund, Germany. (Photo by TF-Images/Getty Images)
Time aurinegro vive momento delicado na temporada | by TF-Images/Getty Images)

Fátima Lacerda, diretamente de Berlim, exclusivo para o Esporte Interativo

Há semanas, o clube auri-negro exibe traços de um time bem perto da mediocridade. O mais recente capítulo da caminhada tortuosa em temporada programada para voos altos, foi o empate sofrido contra o último colocado da tabela da Bundesliga, com 11 pontos, o time que acaba de entrar na Primeira Divisão, o FC Paderborn. O Borussia ainda precisa agradecer ao capitão Marco Reus, que fez um gol já na prorrogação, escapando por um fio da derrota. Mesmo assim, foi um resultado ruim. 

Por um acaso infeliz, os jogadores tiveram que enfrentar a torcida na Assembleia Geral de domingo (24). Ao serem anunciados, entraram em seus ternos impecáveis, cortes de cabelo super fashion e foram sentando na primeira fileira enquanto no estádio inteiro, ecoava uma vaia fenomenal. O pedido de desculpas do capitão Reus logo depois da partida não amenizou a colossal frustração dos torcedores do Dortmund. E como se isso não bastasse, ainda tem a dor de cotovelo de ver o outro Borussia (Mönchengladbach), há semanas, liderando a tabela. 

Planos de voar alto 

A planilha para a temporada 2019-20 exibia planos de voos altos. Para isso, o BVB recomprou Mats Hummels, que temia a concorrência de Süle no FC Bayern e preferiu sair antes de amargar no banco. O último grande momento oferecido aos torcedores foi a virada contra o Inter pela Champions com os aurinegros jogando em casa. Foi uma das pouquíssimas vezes que o Dortmund se mostrou um time de garra e dotado de nervos de aço, capaz de virar a partida contra um adversário tão imprevisível.
 
Muitos percalços 

Os ruídos sobre a vontade de sair de Jadon Sancho, frequentes lesões de Paco Alcacer, o atacante que foi comprado do Barcelona para ser o cara. A diretoria quis comprar outro atacante, mas o técnico Favre não concordou. Suas preferências táticas são o principal ponto de crítica dos analistas esportivos. 

A distância entre os jogadores e a comissão técnica se torna cada vez mais transparente. Favre é um perfeccionista, um tipo Jürgen Klinsmann (o técnico da Nationalelf 2006 durante a Copa da Alemanha e na manhã de quarta-feira (27), anunciado o novo técnico do Hertha Berlin até o final da temporada 2019-20). Os dois são excelentes professores na didática de formação de jogadores, mas não tem a astúcia e ambição de um Matthias Sammer ou de um Ottmar Hitzfeld, dois obcecados pela vitória, por resultados positivos que é o que, no fim do dia, realmente conta no futebol profissional. Na imprensa alemã, há grande especulação se Sammer, ex-jogador, técnico e hoje conselheiro do clube de Dortmund, voltará ao banco de treinador-chefe. Muitos torcedores anseiam para que isso se torne realidade.

A escolha de Lucien Favre para ocupar o cargo de treinador foi um grande erro dos cartolas. O suíço nunca ganhou nenhum campeonato de prestígio. No Nice, o máximo que conseguiu foi fechar a temporada em terceiro lugar, assegurando uma vaga na Champions League. O que veio depois foi um tsunami. Perdeu para o Napoli na Champions e levou uma surra de 5x0 do Lyon, que culminou em sua demissão. 

Que os dirigentes do aurinegros tem mão podre para a escolha de técnicos, todos sabem. Com exceção de Jürgen Klopp, atual campeão da Champions e fazendo história no Liverpool, o CEO Watzke junto com o Diretor Esportivo Zorc, não foram felizes nas últimas contratações. Basta mencionar a contratação de Tuchel (hoje no PSG), do holandês Peter Bosz (hoje técnico do Leverkusen) e Peter Stöger que, semanas antes, havia sido demitido do Colônia por não ter feito nenhum ponto durante a temporada. É preciso um grande desespero combinado com total falta de opção para contratar um treinador com estatísticas tão negativas.

Partiu Barcelona

Na manhã de terça-feira (26), a equipe viajou para a capital da Catalunha e as notícias não poderiam ser piores. Além de Paco Alcacer (lesionado no joelho no jogo contra o Paderborn, pela Bundesliga) não viajaram, Larsen (gripe) e Thomas Delaney.

Final de linha 

Na Assembleia Geral, o CEO Watzke deixou bem claro que o técnico tem mais duas chances para mostrar serviço: no jogo contra o Barcelona, na quarta-feira (27) e no jogo contra o Hertha Berlin, no sábado (30), no Estádio Olímpico, pela Bundesliga. Depois do jogo contra o Paderborn, os cartolas tiveram uma “reunião de crise”, que foi até às duas horas da madrugada. 

Se o BVB não voltar com uma vitória contra o Barça, no próximo sábado será o encontro dos dois times mais esfarrapados e mais longe de seus objetivos na Bundesliga. Lucien Favre (BVB) traz o gosto amargo do empate sofrido com o Paderborn. Já o Hertha vem de desastrosa derrota de 0x4 para o Augsburg no último domingo (24).

Sem Alcácer e com a ausência crônica de um meio-campista com estatura que intimide o adversário e que seja forte na marcação mano-a-mano, será necessário grande auxílio do Deus do Futebol para que o jogo não seja mais um fiasco numa temporada de ida, na qual (com mínimas exceções) o Borussia Dortmund se mostra uma equipe de futebol mediana, confusa, sem garra, sem um Plano B e sem uma linha tática no mínimo, coerente. 

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