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EXCLUSIVO: Mesmo com punição, Manchester City ainda pode disputar a próxima Champions

Advogado especializado em causas esportivas, Marcos Motta explicou de que forma a punição da Uefa pode atrapalhar o Manchester City

Por Gabriel Menezes

Manchester City ainda tem chances de jogar a Champions em 2020/21(Getty Images)

Manchester City ainda tem chances de jogar a Champions em 2020/21 | Getty Images

A punição ao Manchester City foi considerada por muitos como uma forma da Uefa demonstrar, de maneira firme, que vai realmente punir as quebras de regulamentos da entidade em relação ao Fair Play Financeiro (FPF).

Em conversa com a reportagem do Esporte Interativo, o advogado Marcos Motta, especialista em causas esportivas, explicou a punição e indicou o que esperar nos próximos meses em relação à decisão, que ainda deve ser discutida na Corte Arbitral do Esportes (CAS).

Motta destacou a importância das novas dinâmicas de clubes para o acontecido e apontou que os e-mails envolvendo o dono do clube - o sheikh Mansour bin Zayed Al Nahyan - vazados pelo Football Leaks, realmente mostravam um superfaturamento dos patrocínios do City, razão indicada pela Uefa para a punição.

O dono do Manchester City, Mansour bin Zayed Al Nahyan, assiste a partida do City em 2014 (Foto: Getty Images)

ENTENDA QUAL FOI A PUNIÇÃO E VEJA O PRONUNCIAMENTO OFICIAL DO MANCHESTER CITY!

"São quase 10 anos de Fair Play Financeiro implementado. Nesse tempo, você também teve outra dinâmica surgindo: o advento dos superclubes. Com os valores de receitas explodindo, como de direitos de TV na Inglaterra. E com tudo isso, você também tem o advento dos super investidores. O PSG, o Manchester City, o United também, com os americanos, são exemplos disso."

Tudo começou com aqueles e-mails vazados, com o Football Leaks. E, sem entrar na discussão sobre terem sido vazados, pelo que eu pude observar, me pareceu que houve um superfaturamento dos patrocínios do Manchester City e das academias (escolas do clube, que tem sedes, por exemplo, nos Emirados Árabes Unidos)."

City falhou em apresentar provas que demonstrassem sua inocência

O advogado ainda afirma que, desde o momento em que os e-mails foram divulgados, a Uefa passou a pedir uma série de informações para o Manchester City, que deveria apresentá-las para provar que as acusações não procediam. No entanto, isso não aconteceu.

Problemas à vista para Guardiola (Foto: Getty Images)

"A Uefa pediu várias investigações, muitas informações ao Manchester City, que falhou em providenciar tais informações, que provem o contrário das alegações. Então não restou outra alternativa à Uefa se não tomar essa decisão. Agora, ao Manchester City, não há outra alternativa se não buscar o recurso junto à Corte Arbitral do Esporte (CAS). Eles têm 30 dias para apresentar essa apelação."

Considerando a investigação da Uefa exaurida, Motta apontou que não crê que um acordo possa ser costurado entre a entidade e o City, por conta da decisão já ter sido publicada, mas revelou que o clube ainda pode disputar a próxima Champions League.

 

Baseado no preceito de que não disputar a competição em 2020/21, mas ser inocentado após seria uma "perda irremediável", o City tem chances de conseguir uma espécie de liminar que, considerando que os ritos na CAS devem terminar após a fase de qualificação, lhe permita disputar o torneio na próxima temporada. Neste caso, a suspensão, caso confirmada, seria cumprida a partir de 2021/22.

Jogadores também podem ser afetados

Por fim, Marcos Motta também indicou que, nos dias de hoje, é bastante comum que jogadores tenham bonificações relacionadas à disputa da Champions League em seus contratos. Neste caso, os vencimentos de diversos atletas do City poderiam ser reduzidos por conta da punição.

 

O advogado também destacou que o planejamento do clube será bastante afetado por conta da perda. Como exemplo, utilizou o fato de que, em 2018, os Cityzens receberam 67 milhões de euros (R$ 312 milhões) em verbas de premiação da Uefa. No mesmo período, o clube teve receitas - fora as vendas de jogadores - de 601 milhões de euros (R$ 2,8 bilhão), segundo balanço do clube disponível no site oficial.

Em pronunciamento oficial, o Manchester City já garantiu que vai entrar com recurso na Corte Arbitral do Esporte e também questionou o fato de que todo o processo de investigação e punição foi dirigido pela Uefa, para reprovar a decisão.

 
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