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Exclusivo: Bremer, ex-Atlético, projeta chance na Seleção e analisa diferenças entre futebol brasileiro e italiano

Zagueiro do Torino também mira exemplo da Atalanta para buscar outro patamar com o clube

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Por Gabriel Menezes

Bremer vem sendo titular do Torino na atual temporada(Getty Images)

Bremer vem sendo titular do Torino na atual temporada | Getty Images

Bremer, zagueiro do Torino, teve uma ascensão meteórica na carreira. Das categorias de base do Desportivo Brasil, onde chegou apenas aos 15 anos, foi contratado pelo São Paulo. Sem muitas chances, acabou dispensado e passou a vestir a camisa do Atlético-MG. Por lá, aproveitou a chance que teve e se tornou peça importante do Galo. Agora no Torino, se consolida como titular da equipe italiana e mira voos maiores: a seleção brasileira.

Em entrevista exclusiva ao Esporte Interativo, o defensor fala sobre a vida no Toro, indica que teve de passar um ano praticamente só se adaptando à equipe e ao novo futebol que encontrou e indica se inspirar em grandes zagueiros italianos - como Maldini - para seguir crescendo.

Chegada ao Torino: adaptação, dificuldades e crescimento

Em julho de 2018, ainda com 21 anos, o baiano Bremer, que disputara apenas 33 jogos como profissional pelo Atlético-MG, chegava ao Torino. Contratado por 5,8 milhões de euros (R$ 26,3 milhões), o zagueiro admite que sua vontade era entrar em campo o mais rápido possível. Entretanto, quase não jogou em sua primeira temporada com o time italiano. O motivo? A diferença entre o futebol brasileiro e o italiano.

"Quando eu cheguei aqui, um ano e meio atrás, você sabe como é brasileiro: quer chegar jogando. Mas eu não entendia muito bem a tática do [futebol] italiano, que é totalmente diferente do Brasil. É muito tático, trabalha muito espaço, é um futebol mais rápido. Então, o professor [Mazzarri], falava pra mim: 'Bremer, aprende nesse ano, se adapta, e no próximo ano você estar bem preparado'".

A adaptação a outro país geralmente é um problema para os jogadores. Bremer, desde que chegou ao Torino, teve a ajuda de outros sul-americanos, como Rincón (venezuelano), Ansaldi (argentino) e do espanhol Iago Falqué que, pela proximidade do idioma, também conseguia entendê-lo.

Mazzarri (de costas) abraça Ansaldi. Bremer (36) e Rincón (88) também estão na foto

"Quando eu cheguei, o Lyanco estava machucado, estava no Brasil. O Ansaldi, o Iago Falqué e o Rincón com certeza me ajudaram bastante. O espanhol é bem parecido com o português, então algumas palavras eles entendiam. Foi bem mais fácil a adaptação por isso."

Outro personagem fundamental para a adaptação de Bremer ao clube foi o centroavante Andrea Belotti. Capitão da equipe e líder técnico do Torino, o atacante sempre assegurou o brasileiro de que sua oportunidade chegaria.

"Ele é líder dentro e fora de campo. Um jogador excelente, de seleção italiana. Nos ajuda bastante, a mim principalmente. Fiquei um ano sem jogar e ele sempre falava comigo: 'tá tudo bem, todo mundo tá vendo seu trabalho, sua hora vai chegar'".

Belotti ajudava a manter o ânimo de Bremer enquanto o brasileiro se adaptava à nova liga (Foto: Getty Images)

Zagueiro compara rivalidade entre Juventus e Torino a Atlético x Cruzeiro

Nos últimos anos, a Juventus - rival local do Torino - domina o futebol italiano e pouco vê sua soberania ameaçada. Ainda assim, Bremer acredita que, na hora do "vamos ver", o clássico entre as duas equipes é equilibrado.

"A Juventus é um grande clube, que está um pouco à frente da gente. Mas nos clássicos, a gente incomoda eles. Está à frente, mas o Torino incomoda muito time grande aqui [na Itália]."

Além disso, o brasileiro falou sobre as semelhanças entre o Derby Della Mole e o clássico entre Cruzeiro e Atlético-MG, que disputou no seu tempo em Minas.

"São clássicos diferentes, né? Cruzeiro e Atlético, na época em que joguei, ganhei dois. Tinha parâmetros iguais. Hoje não, porque o Cruzeiro caiu pra Série B e o Atlético está um pouco à frente. Mas, em 2018, era parelho. Aqui, em Torino x Juventus, muita gente diz que a Juventus vai ganhar. Mas não é bem assim. Eles estão à frente, mas não é tanto".

Bremer venceu dois clássicos contra o Cruzeiro enquanto esteve no Galo (Foto: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Projeção para o restante da temporada: vaga nas competições continentais e Seleção

Nesta temporada, o Torino não conseguiu chegar à fase de grupos da segunda principal competição continental da Europa, a Europa League, perdendo para o Wolverhampton nos playoffs do torneio. Entretanto, Bremer deixa claro: a missão do Toro é conseguir nova classificação.

"Ano passado, fizemos um bom campeonato e terminamos em 7º. Fomos pros playoffs da Europa League, acabamos perdendo para o Wolverhampton. Mas esse ano a gente pode conseguir chegar mais longe. A gente pode chegar na Europa League tanto pela Coppa Italia quanto pela liga."

Torino caiu para o Wolverhampton nos playoffs da Europa League (Foto: Getty Images)

Aos 22 anos - completa 23 em março deste ano - Bremer ainda tem a possibilidade de jogar a Olimpíada de Tóquio pela seleção brasileira. Apesar de não ter sido utilizado, admite que gostaria de estar no elenco que disputará os Jogos Olímpicos e sonha com uma convocação para a principal.

"Quando saí do Brasil, já tinham especulações de que eu poderia ir para a Seleção. Mas acabei não jogando durante um ano. O sonho de todo jogador é estar na Seleção, seja a Olímpica ou a principal. Estou jogando bastante nessa temporada, terminei o ano em alta. O objetivo é esse: Seleção Olímpica e quem sabe, mais pra frente, a principal."

Renascimento do futebol italiano e aprendizado: as lições que Bremer tira da Itália

Conhecida por ter exibido um futebol muito forte defensivamente durante muitos anos, a Itália pode ser considerada um celeiro de grandes defensores. Paolo Maldini, Franco Baresi, Alessandro Nesta e Fabio Cannavaro são alguns nomes mais recentes que se consagraram ao longo das carreiras.

Como zagueiro, Bremer reforça a ideia de que o futebol italiano ainda privilegia bons sistemas defensivos e revela que Walter Mazzarri, seu treinador no Torino, transmite algumas ideias de lendas do país.

"O Campeonato Italiano é um campeonato que valoriza muito as defesas. São times bem organizados defensivamente. O treinador ensina algumas coisas. Já foi treinador de grandes clubes, como Inter e Napoli. E fala como eram os jogadores. Como era Maldini, como ele jogava, tentando passar isso pra gente. É difícil ser igual a eles [zagueiros lendários da Itália], mas a gente tenta chegar o mais próximo possível."

Maldini, referência, ao lado de Shevchenko, em uma das épocas de ouro do futebol italiano (Foto: Getty Images)

Por fim, Bremer fala sobre o renascimento da Itália como liga. Depois de um período próspero na década passada, quando atraía alguns dos melhores jogadores do mundo, a liga italiana caiu de nível, mas parece estar retornando ao seu auge. Cristiano Ronaldo e Romelu Lukaku seriam dois jogadores que ajudariam a representar a atratividade do futebol italiano em 2020.

"O futebol italiano, de um tempo pra cá, deu uma caída. Mas agora está retomando. Estão vindo grandes jogadores, como o Cristiano Ronaldo veio, o Lukaku também. Alguns clubes caíram de nível, como o Milan. Mas o futebol é dinâmico. Clubes têm tradição, mas só a tradição não adianta, tem que fazer boas contratações. Você vê a Atalanta, conseguindo feitos inéditos, por exemplo."

Bremer marca Lukaku no jogo contra a Inter (Foto: Getty Images)

Na atual temporada, o Torino ocupa a 9ª colocação do Campeonato Italiano e tem vaga garantida nas quartas de final da Coppa Italia, onde enfrentará SPAL ou Milan.

Individualmente, Bremer faz boa temporada. Ao todo, foram 18 jogos com um gol e uma assistência. Além disso, foi titular em todos os jogos que disputou pela equipe de Turim.

 
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